Vereador diz que secretária “zomba” ao inocentar Norge Pharma

Vereador diz que secretária “zomba” ao inocentar Norge Pharma

Ozenira respondeu em ação que Prefeitura não pode culpar empresa por medicamentos vencidos

O vereador por Cuiabá Dilemário Alencar (Podemos) classificou como “zombaria” a manifestação da secretária Municipal de Saúde, Ozenira Félix, em uma ação judicial que pede a anulação do contrato de R$ 9,7 milhões entre a Prefeitura e a Norge Pharma.

A ação foi proposta pela vereadora Edna Sampaio (PT) e tramita na Vara de Ação Popular e Pública de Cuiabá. A empresa é responsável por gerenciar o local em que foi encontrado diversos medicamentos vencidos por vereadores de oposição em abril deste ano.

Segundo Dilemário – que teve acesso a manifestação da Ozenira – foi alegado que a Prefeitura não pode responsabilizar a empresa pelos medicamentos vencidos.

“Indubitavelmente, estão querendo zombar do povo. Mais um pouco a secretária vai dizer que a culpa dos medicamentos vencidos é do fundador de Cuiabá, o Pascoal Moreira Cabral, ou talvez de extraterrestres”, ironizou.

“Como pode isentar de culpa a empresa contratada pela Secretaria de Saúde para fazer o controle dos medicamentos existentes?”, questionou.

O vereador alertou que estão tentado criar uma falsa narrativa de que a Norge Pharma e o ex-secretário de Saúde Antônio Possas de Carvalho, que a contratou, não têm culpa.

“Foi sob a gestão dessa empresa que venceram milhares de remédios que serviriam para o combate de várias enfermidades, como a Covid-19. Inclusive, remédios de alto valor, também venceram, como o AmBisone, um antifúngico cuja caixa com 10 ampolas, custa mais de R$ 22 mil”, disse.

Linha do tempo

Dilemário citou que em janeiro de 2020, a Norge Pharma foi contratada por Luiz Antônio Possas de Carvalho, pelo valor de R$ 19,2 milhões por ano, para gerenciar os medicamentos no Centro de Distribuição de Medicamentos e Insumos de Cuiabá (CDMIC). Posteriormente, o contrato foi aditado.

Em setembro daquele ano, Luiz Antônio foi exonerado da Secretaria de Saúde a pedido da Justiça de Mato Grosso. Já em outubro de 2020, a secretária Ozenira Felix, que substituiu Possas manteve a empresa.

O parlamentar lembrou que em abril de 2021, os vereadores da oposição realizaram uma fiscalização e descobriram milhares de medicamentos vencidos nas prateleiras do CDMIC, com datas de validade dos meses de novembro, dezembro de 2020, e, janeiro, fevereiro, março e abril de 2021.

Dilemário revelou que, em visita à Câmara de Cuiabá, chegou a questionar a secretária sobre a ciência dos medicamentos vencidos. “Ela respondeu que sabia desde outubro de 2020 e que, inclusive, chegou a constituir uma comissão para apurar a situação”.

“Perguntei então, por que continuou vencendo medicamentos na gestão dela e se ela comunicou o fato da existência de medicamentos vencidos ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas, para não incorrer no crime de prevaricação. Ela disse que não fez a comunicação aos órgãos fiscalizadores e não explicou o porquê dos medicamentos continuarem vencendo sob a gestão dela e da Norge Pharma”, disse Dilemário.

O parlamentar disse também que perguntou a secretária se a comissão instituída por ela já tinha mensurado o valor de quanto custou para a Prefeitura de Cuiabá os milhares de medicamentos que ficaram vencidos nas prateleiras do CDMIC.

“Apesar de seis meses da constituição da referida comissão, a secretária me respondeu que não sabia quantos milhões de reais foram gastos com os remédios que foram encontrados vencidos”.

CPI dos medicamentos 

As denúncias sobre os medicamentos vencidos culminaram com a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal.

Integram a comissão o vereador Lilo Pinheiro (PDT), que é o presidente, Marcus Brito (PV), relator do caso, e o Tenente Coronel Paccola (Cidadania), que é membro.

Fonte: Midianews

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Ronaldo Pacheco