Após expulsão de igreja por trair esposa, pastor recorre ao TJ de MT para reverter queda

Após expulsão de igreja por trair esposa, pastor recorre ao TJ de MT para reverter queda

O pastor e psicólogo Davi Joaquim de Lima está tentando reverter sua queda da Igreja Batista Getsemani, em Cuiabá, depois de ter confessado em público que traiu a esposa com a mulher de outro pastor. Agora, ele tenta no Tribunal de Justiça (TJMT) não só voltar ao comando da igreja, mas também garantir renda, moradia e até direito de resposta, alegando que foi exposto e prejudicado de forma irregular.

No agravo de instrumento, a defesa sustenta que ele foi retirado do cargo de forma atropelada, sem respeitar regras básicas. Segundo o documento, a exclusão ocorreu com “violação ao estatuto, ao contraditório e à ampla defesa”, apontando que a assembleia que decidiu o afastamento teria sido irregular.

A defesa explora a exposição pública do caso. O pastor afirma que virou alvo de um verdadeiro julgamento popular, com repercussão na mídia e dentro da própria comunidade religiosa.

No recurso, ele diz ter sofrido “exposição pública intensa, vexatória e de difícil reparação”, além de “linchamento moral” e abalo à reputação, destacando que ainda não houve decisão final, mas que os danos à sua imagem já seriam graves. Davi também afirma que ficou “desempregado, sem fonte de renda, sem moradia própria, residindo de favor”, e que enfrenta problemas de saúde, incluindo um quadro cardíaco sério, além de acompanhamento psicológico.

O documento cita sintomas como “humor rebaixado, pensamentos de autopunição, ansiedade e prejuízos sociais importantes”, reforçando a tese de que a situação teria agravado seu estado emocional. No pedido ao TJMT, o pastor quer uma decisão urgente para suspender os efeitos da assembleia que o tirou do cargo, voltar a receber o auxílio financeiro da igreja e garantir o direito de permanecer  ou retornar à moradia vinculada à instituição.

Também pede que a igreja seja impedida de promover novas exposições ou constrangimentos, além do direito de resposta pelas matérias já divulgadas. A defesa ainda solicita justiça gratuita e a fixação de multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento. “A supressão abrupta desse auxílio, somada ao afastamento da função pastoral, à exclusão do rol de membros e à retirada do local de habitação vinculado à própria instituição, revela dano grave, atual e de difícil reparação”, traz trecho da petição.

A estratégia da defesa é ressaltar que a  discussão não envolve fé ou doutrina, mas sim legalidade. No recurso, os advogados afirmam que “a autonomia religiosa não é salvo-conduto para atos arbitrários”, sustentando que a igreja não poderia ignorar seu próprio estatuto nem os direitos básicos do pastor, mesmo diante do escândalo. A juíza Sinii Saboia, da 10ª Vara Cível de Cuiabá, já havia negado o retorno dele ao cargo, destacando que o Judiciário deve evitar interferir em decisões internas de igrejas, salvo em situações de ilegalidade evidente. (Folhamax)
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