Indígenas protestam em frente ao Leila Malouf contra audiência pública sobre demarcação de terras

Indígenas protestam em frente ao Leila Malouf contra audiência pública sobre demarcação de terras

Um vídeo feito por um motorista registrou o momento em que um grupo indígena protesta em frente ao Buffet Leila Malouf, em Cuiabá, na manhã desta quinta-feira (14). A manifestação acontece devido à audiência pública sobre demarcação de terras, realizada pela Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT).

O evento, denominado “Seminário Justiça Territorial – Respeito aos direitos civis nos processos de demarcação de terras indígenas”, tem o objetivo de discutir os impactos sociais, jurídicos e econômicos das novas demarcações de terras indígenas em 22 municípios mato-grossenses. Entre as pautas principais está à discussão sobre a Lei do Marco Temporal (Lei 14.701/2023) e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 24/2025.

Segundo o presidente da AMM, Léo Bortolin (MDB), as novas demarcações de terras definidas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) ameaçam mais de 2,2 milhões de hectares de propriedades produtivas mato-grossenses, impactando diretamente escolas, comércios e serviços públicos municipais.

Os 22 municípios afetados são: Apiacás, Brasnorte, Campo Novo do Parecis, Campos de Júlio, Cocalinho, Colniza, Confresa, Conquista D´Oeste, Diamantino, Feliz Natal, Gaúcha do Norte, Itaúba, Juara, Luciara, Nova Canaã do Norte, Nova Lacerda, Nova Maringá, Pontes e Lacerda, Porto Esperidião, Rondolândia, Tabaporã e Vila Bela da Santíssima Trindade.

Marco Temporal

Um dos objetivos da audiência pública é defender a existência da Lei do Marco Temporal, que determina que os povos indígenas só têm direito de ocupar as terras que já ocupavam ou disputavam até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. O tema tem sido objeto de controvérsias, com defensores argumentando que a proposta traz mais segurança jurídica e críticos apontando que ela viola os direitos dos povos indígenas.

O julgamento do Marco Temporal já foi concluído pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou a tese e decidiu que a data da promulgação da Constituição não pode ser usada para definir a demarcação de terras indígenas.

PEC 24/2025

Já a Proposta de Emenda à Constituição nº 24 de 2025, que tramita no Senado Federal, determina que seja competência do Congresso Nacional a criação de áreas de preservação ambiental e demarcação de terras indígenas, não cabendo mais que a decisão seja dada pela Funai.

A ideia é que o Poder Legislativo seja o responsável pela criação de áreas de preservação ambiental e limitação de terras indígenas. Além disso, a PEC estabelece que qualquer alteração nas áreas já demarcadas também deve ser aprovada pelo Congresso Nacional. (Repórter MT)

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Darwin Jr