Invasores tentam anular na Justiça doação de área para ocupar casas em Cuiabá

Invasores tentam anular na Justiça doação de área para ocupar casas em Cuiabá

Residencial Jonas Pinheiro III está no centro de uma disputa que envolve 450 famílas

O juiz da Vara de Ação Civil Pública e Ação Popular do Tribunal de Justiça (TJMT), Bruno D’Oliveira Marques, deu 72 horas para a prefeitura de Cuiabá contestar um pedido de anulação de uma área na Capital. O imóvel foi doado a uma construtora que faria as obras de uma das etapas do programa Minha Casa, Minha Vida, que foram abandonadas.

A decisão é do último dia 22 de junho. Na última semana, o magistrado já havia determinado que a Associação dos Moradores do Residencial Jonas Pinheiro III – grupo formado por 450 famílias que ocuparam o local, e que tentam provar na Justiça que se trata de uma área pública -, fizesse correções no processo que tramita no Poder Judiciário Estadual. Com as adequações realizadas pela Associação dos Moradores do Residencial Jonas Pinheiro III, a Justiça deverá atender ou não o pedido liminar das famílias que tentam anular a doação do imóvel, realizada em 2013.

A organização que se beneficiou com a “transferência” da área para a construção de moradias do Minha Casa, Minha Vida (Lumen Construtora), além de nunca terminar o projeto, também entrou em recuperação judicial, e exige na Justiça a posse de uma propriedade pública doada. “Notifique-se o Município de Cuiabá, por meio de seu representante legal, para que, no prazo de 72 horas, manifeste-se sobre a liminar pleiteada pelo autor”, determinou Bruno D’Oliveira Marques.

O drama das famílias do Residencial Jonas Pinheiro III, em Cuiabá, já dura mais de três anos. No ano de 2018, quando chegaram a área, os moradores contam que as casas ali construídas estavam depredadas e abandonadas, utilizadas, somente, por usuários de drogas, e para a prática de prostituição.

A Associação dos Moradores do Residencial Jonas Pinheiro III conta que começou a ocupar o imóvel em 2018, quatro anos após a paralisação das obras que deveriam se transformar num empreendimento do programa Minha Casa, Minha Vida. No início de 2013, a área foi doada à construtora Lumen para implementação do programa habitacional com recursos da Caixa Econômica Federal (CEF).

O valor total do projeto foi estimado na época em R$ 27,4 milhões. Ocorre, no entanto, que a Lumen Construtora entrou em processo de falência e vem exigindo a área ocupada pelos moradores do Residencial Jonas Pinheiro III, de uma propriedade que foi doada pela prefeitura de Cuiabá, sem ao menos concluir o empreendimento Minha Casa, Minha Vida. Além de colocar em risco a moradia de 450 famílias.

Em maio de 2018, a juíza Adriana Sant’Anna Coningham determinou, em caráter liminar, o despejo dos moradores – mesma medida tomada por ela em relação aos residenciais Nico Baracat e Altos do Paraíso. Um ano depois, em julho de 2019, a “reintegração de posse” foi suspensa após protesto de moradores e simpatizantes da causa.

Fonte: Folhamax
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Ronaldo Pacheco