Presidente do TJ apresenta estratégia para para acabar com as facções em MT; entenda
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, afirmou que a estratégia central para desarticular o crime organizado no Estado deve ser o corte de suas fontes de financiamento. Em conversa com a imprensa nesta semana, o magistrado defendeu que o combate eficaz exige não apenas repressão, mas a inclusão da sociedade no debate para romper a “cultura” de aliciamento de pessoas marginalizadas pelas facções.
“Temos que incitar a sociedade a participar. Precisamos quebrar a cultura em relação ao crime organizado e focar no enfraquecimento financeiro dela. Porque através dos financiamentos, eles estão agregando cada vez mais aqueles que estão excluídos do processo”, declarou Zuquim.
Raio-x das facções
Dados do estudo Cartografias da Violência na Amazônia, atualizados em novembro de 2025, corroboram a preocupação do Judiciário. O levantamento aponta que Mato Grosso é o estado com o maior número absoluto de municípios dominados ou disputados por grupos como Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), Tropa Castelar e Bonde dos 40.
Ao todo, 92 dos 142 municípios mato-grossenses (65,2% do território) estão sob influência direta dessas organizações. O relatório destaca Cáceres como a única cidade com três grupos atuantes simultâneos, devido à sua localização estratégica na fronteira com a Bolívia, principal rota do tráfico de drogas.
Zuquim reforçou que o TJMT tem ampliado o enfrentamento por meio da criação de varas especializadas e resoluções internas, com planos de aumentar o número de unidades voltadas exclusivamente para demandas do crime organizado. Para o desembargador, o sucesso depende de uma atuação conjunta entre as instituições.
“Só vamos frear se, de mãos dadas, desenvolvermos políticas de combate. Isoladamente a gente não vai chegar a lugar nenhum”, concluiu.
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